" SE AMARMOS AO PRÓXIMO COMO O SENHOR JESUS NOS ENSINOU, DAREMOS A CADA UM O SEU REAL VALOR PARA A NOSSA VIDA EM SOCIEDADE, INDEPENDENTE DE SUA POSIÇÃO NELA. "
20/08/2015 07:47
O zelador da fonte
Conta uma lenda austríaca que, em determinado povoado, havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo Conselho Municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade.O cavalheiro, com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca. Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos.Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas.Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina.Rodas d'água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite.As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária.Os anos foram passando. Certo dia, o Conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente.Um dos membros do Conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte.De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade.E para quê?O que é que ele fazia, afinal?Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma. Seu discurso a todos convenceu. O Conselho Municipal dispensou o trabalho do zelador da fonte, de imediato. Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas.Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes. Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura.Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens. O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas.As rodas d'água começaram a girar lentamente, depois pararam.Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado. O Conselho Municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido.Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte. Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear.As rodas d'água voltaram a funcionar. Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso.* * * Assim como o Conselho da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores.Aqueles que se desdobram, todos os dias, para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas; os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos. Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa.Servidores anônimos.Quase sempre passamos por eles sem vê-los. Mas, sem seu trabalho, o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável.O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável.Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá.Dependemos uns dos outros. Para viver, para trabalhar, para ser felizes!Pensemos nisso!

O zelador da fonte 