" TODOS OS QUE VIVEM PELO ESPÍRITO TAMBÉM ANDAM NO ESPÍRITO " Parte 13
10/05/2012 14:20
ENTRE O ESPÍRITO E A CARNE - Parte 13
E em termos de religião?
- A SEXUALIDADE À LUZ DA BÍBLIA
- ORIENTAÇÃO PARA UMA VIDA SEXUAL SADIA
I. A ATIVIDADE SEXUAL NA NATUREZA:
Sua finalidade é garantir a manutenção das espécies de seres vivos. É por isso que o impulso sexual é algo tão forte. A energia sexual é seguramente a energia biológica mais poderosa que existe, pois é através dela que nos tornamos parceiros de Deus no processo da
Criação. É a única energia natural capaz de gerar Vida (Gn. 1.22,28).
O Sexo na espécie humana e nas demais espécies de seres vivos: a diferença está no fato de que o ser humano é o único animal que usa o sexo não só para procriar, mas como fonte de prazer e expressão de amor. Grifamos a conjunção "e" para realçar o fato de que as duas
coisas vêm necessariamente juntas: à luz da Palavra de Deus, o sexo apenas como fonte de prazer torna-se pecaminoso, como veremos no decorrer do estudo.
1.- O plano de Deus para a sexualidade humana: à luz de Gn. 2.24 e Mt. 19.3-11, compreendemos que o plano de Deus é que o ser humano exerça sua sexualidade no plano de companheirismo entre o homem e a mulher numa parceria de vida, e não só de sexo.
Uma união tão completa que torna dois indivíduos de sexos opostos partes de uma unidade que, idealmente, deve ser indissolúvel (ver também I Co. 7.4).
A importância que a Bíblia dá à relação sexual fica clara no texto de I Co. 6.16, onde podemos perceber que o vínculo criado por esse relacionamento é intenso, mesmo quando exercido de modo leviano e irresponsável. A intimidade compartilhada gera uma espécie de
compromisso implícito, que a qualquer momento pode surgir na forma de cobranças afetivas ou materiais.
2.- Erotismo x pornografia: Há uma diferença básica entre estas duas palavras, embora elas venham sendo usadas hoje em dia praticamente como sinônimos. Erotismo é o conjunto de sensações e impulsos que nos impelem à atividade sexual. Dentro de um relacionamento sexual sadio, os estímulos eróticos, como beijos e carícias, fazem parte do "jogo do amor", e levam a sensações e experiências muito agradáveis. Pornografia, por outro lado, é o mau
uso do erotismo, levando a práticas sexuais erradas e pervertidas: o estímulo à prostituição, ao homossexualismo, etc.
A confusão de erotismo com pornografia tem levado muitos crentes a deixarem de exercer e aproveitar as práticas eróticas normais, como se o erotismo em si mesmo fosse pecaminoso. Ver I Tm. 4.1-5 e Tt. 1-15.
A este respeito, citamos Robinson Cavalcanti em seu livro Libertação e Sexualidade:
"O que pode o ser humano fazer com a sua sexualidade: Realizá-la: de forma estável, comprometida e heterossexual (ideal) - o que nem sempre é possível, por fatores interiores ou alheios à vontade (falta de condições, falta de parceiros, etc.); de forma instável, não comprometida ou mecânica com relacionamentos heterossexuais sucessivos e superficiais;
de forma homossexual, instável ou estável, o que não é recomendável; de forma isolada pela masturbação.
Reprimi-la: violentando a natureza, o que traz conseqüências negativas; Sublimá-la: canalizando a libido para atividade alternativas e compensatórias, de forma temporária ou permanente, quando possível.
A culpa é um ponto de encontro entre a Teologia e a Psicologia.
A Graça pode ser outro ponto de encontro, que substitui o anterior.
A culpa, quanto à sexualidade, tem afetado a saúde mental de milhares de pessoas, inclusive cristãs.
De onde, então, pode se originar o sentimento de culpa? do Espírito Santo, quando nos procura convencer "do pecado, da justiça e do juízo", sintonizado com a Palavra e impelindo à Graça, ao perdão e à restauração; do maligno, quando, até usando a Palavra, procura manter as pessoas derrotadas, presas, auto-destruídas; da cultura, das tradições, dos ambientes, que alimentam negativamente o nosso superego.
Devemos, também, procurar distinguir o pecado da mera tentação, pois a tentação é parte do dia-a-dia da humanidade, e o próprio Senhor foi tentado. A Igreja, como comunidade terapêutica, deve ser ministradora da Graça, visando o perdão e a restauração, visando a
construção e a maturidade, visando a santidade e a sanidade, o que implica na aceitação do outro e no exercício do amor. O amor é o maior canal da Graça."
3.- Há erotismo na Bíblia? Leia-se Pv. 5.15-20; Ct. 1.2; 4.10,11; 7.9-12. É fácil perceber, por estas passagens, que o erotismo é parte natural e agradável da vida humana, em nada
afastando o Homem do seu Criador. Podemos notar, por esta primeira parte do estudo, que a sexualidade e o erotismo são bênçãos que Deus nos dá, e não pecados em si mesmos. Como, então, a sexualidade pode se tornar um fator de afastamento de Deus?
Passamos então a analisar o:
II. COMPORTAMENTO SEXUAL FORA DO PLANO DE DEUS
Procedimentos "normais" do ponto de vista exclusivamente biológico (ou seja, envolvendo duas pessoas de sexos opostos, numa relação pênis/vagina); podemos analisar dois tipos de situação: Relações sexuais antes do compromisso conjugal: quando o casal ainda não tem condições de maturidade, estabilidade financeira e psicoafetiva, quando ainda não é possível assumir um com o outro o compromisso de parceria de vida, e não só de sexo.
Este tipo de situação ocorre:
para adquirir experiência: o jovem ou adolescente acha que precisa aprender antes de comprometer-se com o (a) futuro (a) companheiro (a); por amor, entre namorados.
Neste caso, freqüentemente há o compromisso afetivo mas não existem condições de se assumir o compromisso conjugal. O casal sente que "um pertence ao outro", e a atração é muito forte, e sempre muito difícil de resistir.
A Palavra de Deus adverte expressamente contra a prática do ato sexual sem o compromisso conjugal. Ver Dt. 22.20,21,28 e 29.
No segundo livro de Samuel, no capítulo 13, há a história de Amnom e Tamar (ambos filhos de Davi, mas de mães diferentes), em que Amnom sente fortíssima atração pela meia-irmã, e a seduz. O relato bíblico diz que "Depois Amnom sentiu por ela grande aversão, e maior era a aversão que sentiu por ela, que o amor que ele lhe votara".
Este é um fato comum: um dos parceiros passa a desprezar o outro (mais freqüentemente o rapaz despreza a moça), e o relacionamento, inicialmente bonito, correto e saudável, dá lugar a tristeza, humilhação e sofrimento.
Como resistir? A receita bíblica é o autocontrole, fruto do Espírito: I Ts. 4.3-8; I Co. 13.7; Gl. 5.23. Ver também a advertência aos jovens, em Ec. 11.9.
a) Relações sexuais extraconjugais: o adultério.
A Bíblia proíbe expressamente a prática do adultério, sendo esta proibição um dos dez mandamentos (Ex. 20.14). Na lei mosaica, este pecado era punido com a pena de morte (Dt. 22.22-27).
Salomão, no livro dos Provérbios, adverte contra esta prática: Pv. 7.7- 23.
É comum o adúltero achar que pode justificar-se argumentando que a atração que sente pela outra (ou o outro, no caso da mulher) surgiu como uma coisa espontânea, "honesta", até bonita. Isto é uma ilusão.
Há no adultério uma dupla deslealdade: para com o cônjuge, que está sendo traído, e para com o companheiro ou companheira clandestina, com quem não se pode assumir nenhum compromisso definitivo, a não ser à custa de romper o vínculo com o parceiro original.
A gravidade do adultério como pecado compreende-se claramente pela importância que Jesus lhe dá: na ótica do Mestre, é a única justificativa aceitável para o processo de divórcio (Mt. 19.9).
b) O incesto, ou relação sexuais entre parentes íntimos, também é expressamente reprovado na instrução dada por Deus a Moisés (Lv. 18.6-16).
c) Relações sexuais sem amor, sem comprometimento mútuo, pelo simples prazer, ou em troca de dinheiro ou favores especiais (por interesse). No primeiro caso, falamos em fornicação, e no segundo, em prostituição.
Desvios ou aberrações do comportamento sexual: já mencionamos acima que a relação sexual normal do ponto de vista biológico envolve duas pessoas de sexos opostos, sexualmente maduras, isto é, cujo organismo está pronto para o ato da procriação.
Qualquer relação fora deste padrão já não envolve apenas questões éticas, mas sim
condições patológicas: doenças da mente e do espírito.
Em Lv. 18.22,23, e Rm. 1.26,27 compreendemos a gravidade deste tipo de comportamento. Conhecemos vários tipos de aberração:
d) Bestialismo ou zoofilia: a prática de relações sexuais com animais.
e) Pedofilia: a atração anormal por crianças ( criaturas ainda não
sexualmente maduras).
f) Necrofilia: a prática de relações sexuais com cadáveres.
g) Homossexualismo: o relacionamento sexual com pessoas do mesmo sexo.
h)Sexo anal: a relação sexual com penetração no ânus em vez da vagina. Biologicamente, o ânus é um orifício de saída, não de entrada.
O material contido na ampola retal, que é a última parte do intestino e que desemboca no ânus, é cheio de bactérias, cuja presença é normal no local mas nas vias urinárias pode levar ao aparecimento de lesões e infecções às vezes graves. Além disso, é uma relação mais
traumática, causando freqüentemente escoriações e fissuras por onde podem entrar microorganismos atingindo a corrente sangüínea e causando doenças como a AIDS.
É interessante a maneira como Robinson Cavalcanti analisa os desvios do comportamento sexual, no livro já citado acima: "Há um certo consenso na ética cristã de que:
a) por certo Deus destinou o ser humano a buscar a realização sexual com outros seres vivos. A necrofilia, ou atração sexual por cadáveres, fere esse padrão;
b) Deus destinou o ser humano à realização sexual com outro ser da mesma espécie. A zoofilia, ou atração sexual por irracionais, fere esse padrão;
c) Deus destinou o ser humano à realização com o sexo oposto. O homossexualismo, ou atração pelo mesmo sexo, fere esse padrão;
d) Deus destinou o ser humano a se realizar sexualmente por livre manifestação de vontade. O estupro, ou relações sexuais à força, fere esse padrão;
e) Deus destinou o ser humano à realização sexual por amor. A prostituição, ou relação sexual mediante remuneração ou recompensa, fere esse padrão;
f) Deus destinou o ser humano a relacionamentos estáveis, que crescem e se aprofundam. A fornicação, ou relacionamentos sexuais efêmeros e sucessivos, fere esse padrão;
g) Deus destinou o ser humano a relacionamentos na amplitude da espécie. O incesto, ou relacionamento sexual com parentes próximos, fere esse padrão;
h) Deus concebeu a atividade sexual como um ato de comunicação interpessoal. A masturbação, ou auto-realização sexual solitária, quando opção permanente de um egoísmo sexual, fere esse padrão;
i) Deus deixou ao ser humano a incumbência e a capacidade de reprodução da espécie. Ele é a fonte da vida e condena a morte. O aborto, ou destruição do ser enquanto ainda no útero, fere esse padrão;
j) Destinou Deus o ser humano a fazer da atividade sexual um ato construtivo de afeto. O sadismo, ou prazer em fazer sofrer, e o masoquismo, ou prazer no sofrer, com suas agressões e mutilações, fere esse padrão;
k) Destinou Deus o ser humano à integração da sua sexualidade com equilíbrio, dentro de uma pluralidade de atividades e interesses. A lascívia, sexocentrismo, sexomania ou obsessão sexual, fere esse padrão."
Todo desvio de conduta é conseqüência da negação de Deus por parte do ser humano (Rm. 1.21-32). Em 1 Co. 6.9,10 há uma lista de tipos de pessoas que não podem herdar o reino de Deus: "nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o Reino de Deus".
É claro que isto não significa que não há esperança para os adúlteros, homossexuais, fofoqueiros, furadores de fila, pão-duros, etc.
Porém, é uma ilusão perigosa achar que Jesus vai garantir salvação sem conversão.
Devemos respeito a essas pessoas enquanto seres humanos, mas não podemos, por exemplo, pedir que Deus abençoe uma união homossexual sob o pretexto de que "é uma relação de amor"(!).
Imitando Jesus, devemos amar o pecador, mas não o pecado. Felizmente, em Jesus há esperança para todas estas pessoas (1 Co. 6.11).

